Acabamos de ouvir a notícia da morte do líder norte-coreano Kim Jong-Il
nestes dias e pude assistir a alguns comentários sobre a vida no país,
inclusive de pessoas que conseguiram visitá-lo. É impressionante, especialmente
para os nossos padrões de vida, seja econômico, cultural, social, tecnológico,
etc. Os norte-coreanos vivem uma vida materialmente bastante precária em geral
- passam fome, não tem luz à noite, por exemplo -, mas as coisas que mais me
doeram foram: a induzida quase-idolatria ao líder e ao pai do líder (pai da
coréia do norte comunista), a nula e suprimida livre expressão popular (não há
jornais e TV só estatal) e o isolamento internacional. Lembre-se que o país se
chama República Democrática Popular da Coréia,
apesar de não ter nada de república e nem de democrática (e nem de popular na
verdade).
Os brasileiros entrevistados explicaram como foi a visita ao país:
guias norte-coreanos os acompanharam o tempo todo por um percurso
pré-estabelecido, pessoas não-autorizadas não podiam falar com eles,
estrangeiros, (mesmo assim uma coreana se arriscou para pedir um suco; talvez
já esteja morta...); ninguém fala inglês, então não se pode, de fato, interagir
com ninguém. Eu resumiria essa realidade não em pouco desenvolvimento - o que é
verdade! -, mas em alienação da realidade, da vida humana. Isso me pareceu,
perdoem-me os norte-coreanos, de que são tratados como gado.
Será que nossa sociedade, generalizando para o Ocidente todo, é muito
diferente? Eu acho que é bastante diferente sim, mas temos algo em comum.
Vivemos alienados pra caramba! Temos em nossos tempos considerável progresso material
(recursos, alimentos, tecnologia, etc.), porém gradativa degeneração cultural,
que se manifesta - de maneira geral, é claro - na deterioração da arte. Estandarte
da cultura, a arte é um sinal vital do espírito de uma sociedade, afinal é o
espírito do homem é que fica plasmado na arte. Pode-se dizer que a arte
contemporânea basicamente se transformou em entretenimento (o cinema
hollywoodiano é a expressão máxima disso), em marketing comercial e em
sensações em geral Ela prostitui-se por carecer exatamente de conteúdo.
Pois bem, carecemos de conteúdo espiritual - valores, grandes motivos de
alegria, razões para viver, ideais de vida, etc. -, apesar de adorarmos filmes
de super-heróis e admirarmos histórias heróicas em geral. Porque justamente
vivemos como que "boiando", imersos num turbilhão de informações e
prazeres passageiros. Somos quase-incapazes de pensar por conta própria, como
os norte-coreanos. A diferença é que aqui somos levados, "tocados",
pelos fortes e alucinantes apelos ao consumismo e hedonismo, num clima de "liberdade".
A vida de milhões de pessoas é simplesmente pautada pelo próximo modelo de
celular, carro, etc. Essencialmente, nós e os norte-coreanos vivemos não para o
que fomos feitos – fazer as coisas nos entregando e amando para sermos felizes –
mas servindo a um líder ou a objetos brilhantes de plástico. Achamos que
estamos sendo livres, autônomos, independentes, apesar de enchermos nossas
mentes com um monte de informações irrelevantes e nos escravizar a diferentes
prazeres. Talvez tenhamos até menos mérito do que aquela população norte-coreana
oprimida e vivendo sob risco de morte, pois somos uns soberbos pisando em
estrume.
Vida e Natal têm uma especialíssima e intrínseca ligação. Sabendo da
debilidade e potencial maldade humana – como acabamos de comentar inclusive –,
Jesus Cristo quis num dado instante da nossa história assumir a nossa natureza,
nascendo e vivendo como a gente. É mistério pela limitação de nossa
inteligência, mas é uma realidade de fato e maravilhosa! Jesus Cristo sim é
motivo verdadeiro para se identificar e dedicar a vida, não um homem ou
objetos. Jesus, Deus-Homem, ensina-nos a valorizar a vida que ganhamos e ter
presente o que é realmente importante e relativizar o que não é. Tenho certeza de
que muitos querem, no fundo da alma, gastar a vida em algo que vale realmente a
pena, algo grande – mesmo sendo difícil – e que preencha esse nosso coração sempre
sedento do Infinito. Nós não nos criamos, não decidimos nascer, não nos possuímos
propriamente falando. Temos uma natureza humana com “impressão digital” divina,
somos feitos para “algo muito grande”. Jesus, parabéns pela festa e ajuda-nos a
apontar nossas vidas ao Pai Criador com espírito de gratidão, sejam quais forem
as circunstâncias em que nos encontremos! Agora tá na hora de aprender alguma
coisa com o Presépio...
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
ZENIT - Enfoque original sobre relação entre razão e fé
ZENIT - Enfoque original sobre relação entre razão e fé
Destaco o seguinte:
O Pontífice disse: “Hoje, o nosso mundo é um mundo racionalista e condicionado pelo caráter científico, embora este seja muitas vezes só aparente”.
“Mas este espírito científico de querer compreender, explicar, de poder saber, da rejeição de tudo o que não seja racional é predominante no nosso tempo – disse o Papa. Nisto há também algo de grande, apesar de frequentemente se esconder por detrás muita presunção e insensatez.”
O Santo Padre continuou, afirmando que “a fé não é um mundo paralelo do sentimento, que possamos permitir-nos como um extra, mas é aquilo que abraça o todo, que lhe dá sentido, interpreta-o e lhe dá também as orientações éticas interiores, para que seja compreendido e vivido apontando para Deus e a partir de Deus”.
Destaco o seguinte:
O Pontífice disse: “Hoje, o nosso mundo é um mundo racionalista e condicionado pelo caráter científico, embora este seja muitas vezes só aparente”.
“Mas este espírito científico de querer compreender, explicar, de poder saber, da rejeição de tudo o que não seja racional é predominante no nosso tempo – disse o Papa. Nisto há também algo de grande, apesar de frequentemente se esconder por detrás muita presunção e insensatez.”
O Santo Padre continuou, afirmando que “a fé não é um mundo paralelo do sentimento, que possamos permitir-nos como um extra, mas é aquilo que abraça o todo, que lhe dá sentido, interpreta-o e lhe dá também as orientações éticas interiores, para que seja compreendido e vivido apontando para Deus e a partir de Deus”.
segunda-feira, 21 de março de 2011
O Opus Dei e a política
A Folha de São Paulo, Domingo, 13 de março de 2011
*O Opus Dei e a política*
*VICENTE ANCONA LOPEZ*
Confesso que me divirto com os comentários que, de vez em quando, saem
na imprensa sobre o Opus Dei e a sua suposta atuação política.
Aparecer no WikiLeaks era uma questão de tempo...
Num primeiro momento, soa engraçado o poder que nos atribuem; depois,
na autocrítica, a conclusão é séria: a nossa comunicação precisa
melhorar. Não se trata de melhorar a imagem da Obra, mas, sim, de
erradicar uma ideia falsa, transmitindo o que realmente somos.
As pessoas que participam das suas atividades sabem que o Opus Dei não
faz política. A sua atuação tem outra dimensão: lembrar que todos,
também os políticos, são chamados por Deus a serem santos; e que essa
santidade pode e deve ser procurada nas atividades da vida diária,
realizando-as por amor a Deus e ao próximo.
Ora, se a Obra tivesse posição política, trairia a sua finalidade, já
que de alguma forma estaria privando dessa mensagem quem possuísse uma
visão política diversa.
Em Roma, convivi com são Josemaria, fundador do Opus Dei, de 1969 a
1975. Nesse período, nunca o ouvi falar de política. Falava, sim, de
conviver e dialogar com todos. Dizia que caridade, mais do que em dar,
consiste em compreender.
São Josemaria era o oposto do que se poderia esperar de um
"conservador". Estava aberto às novidades, queria aprender, inovar.
Quando passou uma temporada no Brasil, entre maio e junho de 1974,
dizia que tinha aprendido muito do povo brasileiro: da nossa
cordialidade, da nossa alegria, dessa convivência aberta a todos. E
estava, na época, com 72 anos!
Ao mesmo tempo, foi muito incisivo ao nos dizer que aqui havia muito
trabalho a fazer, que era preciso melhorar a condição de vida de
muitas pessoas. Ao visitar o Centro Social Morro Velho, e também numa
conversa com dom Paulo Evaristo Arns, afirmava que não seria cristão
permanecer indiferente a tanta desigualdade. Sob o seu impulso
nasceram muitas iniciativas sociais, no Brasil e no mundo.
São Josemaria foi pioneiro no ecumenismo, rompendo, ainda nos anos 40,
resistências na Santa Sé ao solicitar que, no Opus Dei, houvesse
cooperadores de todas as religiões, também ateus. Hoje, é uma
realidade em todos os países nos quais a Obra trabalha: cooperadores
protestantes, evangélicos, judeus, muçulmanos...
Mas e a relação do Opus Dei com o governo de Franco na Espanha? Faz
anos que se esclarece esse tema, e talvez aqui tenhamos falhado ao
comunicar. Em primeiro lugar, o Opus Dei não apoiou Franco. Segundo:
houve muitos membros do Opus Dei que fizeram oposição a Franco; por
isso, alguns tiveram que se exilar.
Por outro lado, alguns poucos membros do Opus Dei colaboraram com o
governo de Franco. E por que o Opus Dei não fez nada? Simplesmente
porque o Opus Dei não interfere nas atividades políticas dos seus
membros, e cada um atua como lhe parece mais conveniente.
A liberdade sempre implica riscos, e o Opus Dei prefere correr esses
riscos. Agora, por outro ângulo: o que pode ter a ver com Franco uma
dona de casa do Cazaquistão, um estudante universitário do Congo ou um
taxista mexicano que sejam do Opus Dei?
Se alguém quiser saber qual é o "projeto de poder" do Opus Dei, está
convidado a conhecer as suas atividades, para que possa ouvir
pessoalmente o que ali se diz. Fala-se de caridade, de excelência nas
virtudes, de vida de oração, de aceitar com alegria as contrariedades,
de castidade, de trabalhar com competência etc.
Não poderia ser de outra forma: essa é a mensagem da Igreja Católica,
e o Opus Dei nada mais é do que uma pequena parte da igreja, que não
tem um projeto de poder, e sim um projeto de serviço.
MONSENHOR VICENTE ANCONA LOPEZ, 61, é vigário regional da prelazia do
Opus Dei no Brasil.
*O Opus Dei e a política*
*VICENTE ANCONA LOPEZ*
Confesso que me divirto com os comentários que, de vez em quando, saem
na imprensa sobre o Opus Dei e a sua suposta atuação política.
Aparecer no WikiLeaks era uma questão de tempo...
Num primeiro momento, soa engraçado o poder que nos atribuem; depois,
na autocrítica, a conclusão é séria: a nossa comunicação precisa
melhorar. Não se trata de melhorar a imagem da Obra, mas, sim, de
erradicar uma ideia falsa, transmitindo o que realmente somos.
As pessoas que participam das suas atividades sabem que o Opus Dei não
faz política. A sua atuação tem outra dimensão: lembrar que todos,
também os políticos, são chamados por Deus a serem santos; e que essa
santidade pode e deve ser procurada nas atividades da vida diária,
realizando-as por amor a Deus e ao próximo.
Ora, se a Obra tivesse posição política, trairia a sua finalidade, já
que de alguma forma estaria privando dessa mensagem quem possuísse uma
visão política diversa.
Em Roma, convivi com são Josemaria, fundador do Opus Dei, de 1969 a
1975. Nesse período, nunca o ouvi falar de política. Falava, sim, de
conviver e dialogar com todos. Dizia que caridade, mais do que em dar,
consiste em compreender.
São Josemaria era o oposto do que se poderia esperar de um
"conservador". Estava aberto às novidades, queria aprender, inovar.
Quando passou uma temporada no Brasil, entre maio e junho de 1974,
dizia que tinha aprendido muito do povo brasileiro: da nossa
cordialidade, da nossa alegria, dessa convivência aberta a todos. E
estava, na época, com 72 anos!
Ao mesmo tempo, foi muito incisivo ao nos dizer que aqui havia muito
trabalho a fazer, que era preciso melhorar a condição de vida de
muitas pessoas. Ao visitar o Centro Social Morro Velho, e também numa
conversa com dom Paulo Evaristo Arns, afirmava que não seria cristão
permanecer indiferente a tanta desigualdade. Sob o seu impulso
nasceram muitas iniciativas sociais, no Brasil e no mundo.
São Josemaria foi pioneiro no ecumenismo, rompendo, ainda nos anos 40,
resistências na Santa Sé ao solicitar que, no Opus Dei, houvesse
cooperadores de todas as religiões, também ateus. Hoje, é uma
realidade em todos os países nos quais a Obra trabalha: cooperadores
protestantes, evangélicos, judeus, muçulmanos...
Mas e a relação do Opus Dei com o governo de Franco na Espanha? Faz
anos que se esclarece esse tema, e talvez aqui tenhamos falhado ao
comunicar. Em primeiro lugar, o Opus Dei não apoiou Franco. Segundo:
houve muitos membros do Opus Dei que fizeram oposição a Franco; por
isso, alguns tiveram que se exilar.
Por outro lado, alguns poucos membros do Opus Dei colaboraram com o
governo de Franco. E por que o Opus Dei não fez nada? Simplesmente
porque o Opus Dei não interfere nas atividades políticas dos seus
membros, e cada um atua como lhe parece mais conveniente.
A liberdade sempre implica riscos, e o Opus Dei prefere correr esses
riscos. Agora, por outro ângulo: o que pode ter a ver com Franco uma
dona de casa do Cazaquistão, um estudante universitário do Congo ou um
taxista mexicano que sejam do Opus Dei?
Se alguém quiser saber qual é o "projeto de poder" do Opus Dei, está
convidado a conhecer as suas atividades, para que possa ouvir
pessoalmente o que ali se diz. Fala-se de caridade, de excelência nas
virtudes, de vida de oração, de aceitar com alegria as contrariedades,
de castidade, de trabalhar com competência etc.
Não poderia ser de outra forma: essa é a mensagem da Igreja Católica,
e o Opus Dei nada mais é do que uma pequena parte da igreja, que não
tem um projeto de poder, e sim um projeto de serviço.
MONSENHOR VICENTE ANCONA LOPEZ, 61, é vigário regional da prelazia do
Opus Dei no Brasil.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Filme "A Partida"
Lindo este premiado filme japonês de 2008!
Difícil achar um filme ocidental que fala da morte deste jeito sensível e transcendental.
Veja mais detalhes em:
www.imdb.com/title/tt1069238/
Difícil achar um filme ocidental que fala da morte deste jeito sensível e transcendental.
Veja mais detalhes em:
www.imdb.com/title/tt1069238/
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Pulseiras Quânticas
Essas pulseirinhas me cheiravam enganação total. Tive a notícia que queria hoje.
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