quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Coréia do Norte, Vida e Natal

Acabamos de ouvir a notícia da morte do líder norte-coreano Kim Jong-Il nestes dias e pude assistir a alguns comentários sobre a vida no país, inclusive de pessoas que conseguiram visitá-lo. É impressionante, especialmente para os nossos padrões de vida, seja econômico, cultural, social, tecnológico, etc. Os norte-coreanos vivem uma vida materialmente bastante precária em geral - passam fome, não tem luz à noite, por exemplo -, mas as coisas que mais me doeram foram: a induzida quase-idolatria ao líder e ao pai do líder (pai da coréia do norte comunista), a nula e suprimida livre expressão popular (não há jornais e TV só estatal) e o isolamento internacional. Lembre-se que o país se chama República Democrática Popular da Coréia, apesar de não ter nada de república e nem de democrática (e nem de popular na verdade).

Os brasileiros entrevistados explicaram como foi a visita ao país: guias norte-coreanos os acompanharam o tempo todo por um percurso pré-estabelecido, pessoas não-autorizadas não podiam falar com eles, estrangeiros, (mesmo assim uma coreana se arriscou para pedir um suco; talvez já esteja morta...); ninguém fala inglês, então não se pode, de fato, interagir com ninguém. Eu resumiria essa realidade não em pouco desenvolvimento - o que é verdade! -, mas em alienação da realidade, da vida humana. Isso me pareceu, perdoem-me os norte-coreanos, de que são tratados como gado.

Será que nossa sociedade, generalizando para o Ocidente todo, é muito diferente? Eu acho que é bastante diferente sim, mas temos algo em comum. Vivemos alienados pra caramba! Temos em nossos tempos considerável progresso material (recursos, alimentos, tecnologia, etc.), porém gradativa degeneração cultural, que se manifesta - de maneira geral, é claro - na deterioração da arte. Estandarte da cultura, a arte é um sinal vital do espírito de uma sociedade, afinal é o espírito do homem é que fica plasmado na arte. Pode-se dizer que a arte contemporânea basicamente se transformou em entretenimento (o cinema hollywoodiano é a expressão máxima disso), em marketing comercial e em sensações em geral Ela prostitui-se por carecer exatamente de conteúdo.

Pois bem, carecemos de conteúdo espiritual - valores, grandes motivos de alegria, razões para viver, ideais de vida, etc. -, apesar de adorarmos filmes de super-heróis e admirarmos histórias heróicas em geral. Porque justamente vivemos como que "boiando", imersos num turbilhão de informações e prazeres passageiros. Somos quase-incapazes de pensar por conta própria, como os norte-coreanos. A diferença é que aqui somos levados, "tocados", pelos fortes e alucinantes apelos ao consumismo e  hedonismo, num clima de "liberdade". A vida de milhões de pessoas é simplesmente pautada pelo próximo modelo de celular, carro, etc. Essencialmente, nós e os norte-coreanos vivemos não para o que fomos feitos – fazer as coisas nos entregando e amando para sermos felizes – mas servindo a um líder ou a objetos brilhantes de plástico. Achamos que estamos sendo livres, autônomos, independentes, apesar de enchermos nossas mentes com um monte de informações irrelevantes e nos escravizar a diferentes prazeres. Talvez tenhamos até menos mérito do que aquela população norte-coreana oprimida e vivendo sob risco de morte, pois somos uns soberbos pisando em estrume.

Vida e Natal têm uma especialíssima e intrínseca ligação. Sabendo da debilidade e potencial maldade humana – como acabamos de comentar inclusive –, Jesus Cristo quis num dado instante da nossa história assumir a nossa natureza, nascendo e vivendo como a gente. É mistério pela limitação de nossa inteligência, mas é uma realidade de fato e maravilhosa! Jesus Cristo sim é motivo verdadeiro para se identificar e dedicar a vida, não um homem ou objetos. Jesus, Deus-Homem, ensina-nos a valorizar a vida que ganhamos e ter presente o que é realmente importante e relativizar o que não é. Tenho certeza de que muitos querem, no fundo da alma, gastar a vida em algo que vale realmente a pena, algo grande – mesmo sendo difícil – e que preencha esse nosso coração sempre sedento do Infinito. Nós não nos criamos, não decidimos nascer, não nos possuímos propriamente falando. Temos uma natureza humana com “impressão digital” divina, somos feitos para “algo muito grande”. Jesus, parabéns pela festa e ajuda-nos a apontar nossas vidas ao Pai Criador com espírito de gratidão, sejam quais forem as circunstâncias em que nos encontremos! Agora tá na hora de aprender alguma coisa com o Presépio...